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A recente decisão do governo boliviano de rebaixar as duas refinarias da Petrobras a prestadoras de serviço no país provocou indignação dos presidentes das Comissões de Minas e Energia e Relações Exteriores da Câmara. Eles defendem uma reação mais dura do governo brasileiro à medida. Nesta semana, o governo da Bolívia editou uma resolução passando o controle do fluxo de caixa das refinarias da Petrobras à petrolífera estatal boliviana. Com a resolução, a estatal boliviana pagaria à Petrobras os custos que julgasse adequados, transformando a empresa brasileira em uma prestadora de serviços nos seus próprios empreendimentos. Para o presidente da Comissão de Minas e Energia da Câmara, deputado Carlos Alberto Leréia, do PSDB de Goiás, a recente decisão do governo boliviano é uma conseqüência da reação moderada do governo brasileiro à nacionalização das reservas de gás natural, anunciada pela Bolívia em maio deste ano. Leréia avalia que a posição do Brasil na época foi equivocada. "Eu espero que a reação do governo brasileiro agora não seja mais de complacência. Tem que ter uma reação dura, pra valer, do próprio presidente da República. A sociedade está esperando isso dele. Até agora, não houve um menifesto por parte dele apenas de alguns auxiliares. Nós esperamos que com dureza, ele, como representante do povo brasileiro, a principal autoridade do país, como presidente da República que é, ele deve esquecer o processo eleitoral que ocorre no dia primeiro de outubro e ir pra valer em cima do presidente da Bolívia para que ele faça cumprir o que foi escrito em papel, que foi acordado durante muitos anos, porque o acordo não foi feito de um presidente com o outro, foi feito de uma nação com a outra, de um país com o outro" Para o presidente da Comissão de Relações Exteriores, deputado Alceu Collares, do PDT do Rio Grande do Sul, o Brasil deve agora recorrer aos órgãos internacionais de arbitragem para tentar reverter a situação. "É lamentável que desde o início o presidente da República não tenha tido uma visão exata desta agressão que a nação brasileira, através da Petrobras, sofreu e não tenha reagido à altura da agressão. Isso possibilitou que Evo Morales imagine-se com poder de agredir a nação brasileira como está fazendo agora e a frouxidão do governo Lula, por despreparo, está prejudicando a imagem do Brasil no exterior. Ainda que tardiamente, a tentativa é buscar os órgãos de julgamento internacionais" O presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli, já anunciou na última quinta-feira que a empresa pode recorrer ao Centro Internacional para Arbitragem de Disputa sobre Investimento, órgão do Banco Mundial, caso o governo boliviano siga adiante com a iniciativa. De Brasília, Geórgia Moraes - Radio Câmara.
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